Na rotina do contador do agro, há uma dúvida comum: a conciliação bancária é obrigatória na entrega do LCDPR?
De forma objetiva: não existe exigência legal de enviar ou apresentar a conciliação bancária junto ao LCDPR. Mesmo assim, para a agro contabilidade ela é indispensável.
Neste artigo, vamos esclarecer o que a legislação realmente exige, quais são os riscos de não conciliar e por que a conciliação deve fazer parte da rotina do contador do agro.
A legislação exige a conciliação bancária no LCDPR?
Não há normativa que obrigue o envio de um relatório de conciliação bancária junto ao LCDPR.
Na prática:
- Não existe campo específico para anexar conciliação
- O manual do LCDPR não lista a conciliação como entrega obrigatória
- A obrigação é a escrituração correta das movimentações da atividade rural
Porém, a Receita Federal tem destacado que uma das falhas mais observadas no LCDPR são inconsistências entre dados, lançamentos e documentos apresentados, como divergências em demonstrativos detalhados e resumos, conforme o portal da Receita.
Na realidade, isso significa que os números do Livro Caixa precisam estar de acordo com os extratos bancários. É exatamente aí que a conciliação bancária deixa de ser opcional para a segurança técnica da agro contabilidade.
O que é a conciliação bancária na Agro Contabilidade?
A conciliação bancária consiste em um processo que compara receitas e despesas lançadas no LCDPR com todas as movimentações financeiras registradas na conta bancária usada para a atividade rural.
Esse processo é de extrema importância para analisar, mês a mês, cada entrada e saída, identificando qualquer item não registrado ou categorizado incorretamente.

Principais riscos de não conciliar o LCDPR
Para o contador que atende produtores rurais, subestimar a conciliação bancária pode gerar riscos como:
1. Omissão de receitas
A Receita Federal cruza dados financeiros. Entradas bancárias que não aparecem no LCDPR podem indicar receita não declarada.
Resultado: cobrança de imposto adicional e possível autuação.
2. Distorção do resultado da atividade rural
Erros como transferências tratadas como receita, duplicidade de lançamentos e classificação incorreta de movimentações comprometem a apuração do resultado rural.
Resultado: inconsistência fiscal e necessidade de retificações.
3. Desconsideração de despesas pela Receita
Se a despesa é registrada no LCDPR, mas não aparece na movimentação financeira e não há documento que comprove, ela pode ser desconsiderada na fiscalização.
Isso ocorre porque a Receita Federal exige coerência entre a escrituração e a realidade financeira da atividade.
Resultado: aumento do resultado tributável e maior risco de questionamento pela Receita.
No artigo sobre os erros mais comuns na escrituração do LCDPR e como evitá-los, você encontra orientações sobre prevenção dessas inconsistências e recomendações práticas.
Lançamento recorrente e acompanhamento contínuo evitam retrabalho às vésperas dos prazos fiscais.
Cuidados especiais: receitas, financiamentos e despesas
Segundo levantamento do IBGE, o Crédito Rural é essencial para pequenos e médios produtores. Considerar financiamentos e entradas provenientes do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) na conciliação bancária, garantindo que as operações de crédito estejam corretamente registradas, ajuda a evitar inconsistências e potenciais autuações.
Outro ponto importante é a classificação consistente de despesas. Pagamentos referentes a insumos, folha de pagamento ou compra de bens devem ser associados com o extrato bancário para evitar omissões ou duplicidades.

Suporte da tecnologia: conciliação bancária na Farmcont
Com a integração ao Open Finance, a Farmcont oferece uma conciliação bancária mais rápida e simplificada. A plataforma busca periodicamente os registros de movimentações financeiras do produtor rural em qualquer banco vinculado ao Banco Central, sugerindo opções de conciliação para os lançamentos no Livro Caixa.
Além disso, a conferência das movimentações bancárias ocorre sem a necessidade do extrato OFX. O contador do agro pode acompanhar as transações financeiras do produtor rural de forma automática e realizar a conferência rapidamente, garantindo segurança e agilidade no processo contábil.
Adotar e padronizar a conciliação bancária na rotina contábil no agro reduz retrabalho, garante conformidade fiscal e reforça a relação de confiança entre o agro contador e o produtor rural.
